sábado, 27 de maio de 2023

                        “UM JUIZ DE MERDA”

 

Faça seu julgamento...

O Ministro Dias Tóffoli, do STF, é o que se convencionou chamar "juiz de merda", o cara condenou José Genoíno mesmo sabendo que era inocente, somente para poder participar do passo seguinte, a dosimetria da pena, segundo confessa o juiz impudico [1].

Esta confissão de Tóffoli é confissão de quando nada um crime, prevaricação. Mas é disto que o Judiciário brasileiro é feito, tipos covardes, oportunistas, sem caracteres, venais, mesquinhos.

O povo brasileiro a cada dia degenera um pouco mais pois se não fosse isto já teria feito justiça com as próprias mãos, o que não é bom, mas é melhor que nada, convenhamos. O povo já teria invadido alguns foruns, depredado suas instalações e pendurado alguns juízes e desembargadores nos postes de iluminação pública.

O que esta gente faz com o direito dos outros não é para menos. No mínimo fazem assim: se eles não gostam do advogado, se vingam nos constituintes. Querem subserviência e mesuras, detestam altivez e honradez.

O ex-juiz parcial que agora é senador é o arquétipo do juiz brasileiro, covarde, escroto, parcial, infame, tudo, menos um juiz. E esta escória encontra em muitos advogados subserviência, quando deveriam encontrar um paredão composto de coragem, altivez e exigência para cumprirem a lei.

Se o STF tivesse um mínimo de respeitabilidade abriria um processo para Tófolli responder pelo crime cometido. Em um mundo menos injusto a banda tocaria assim...


Nota

[1] TODA SOLIDARIEDADE A JOSÉ GENOÍNO

https://www.facebook.com/breno.altman/videos/633947988601895

 

quinta-feira, 18 de maio de 2023

                                         FALECEU THEODOMIRO

 

Theodomiro Romeiro (esquerda) e Paulo Pontes durante julgamento em 1971 | Foto: Paulo Biccas/Tribuna da Bahia


Domingo, 14 de maio do ano corrente, faleceu Theodomiro Romeiro dos Santos. Eu era ainda muito jovem quando tomei conhecimento de sua história, o ano era 1978 e a campanha pela anistia tinha ganhado as ruas do país.

Theodomiro cumpria pena na penitenciária Lemos Brito aqui em Salvador, BA, na condição de preso político pois em 27 de outubro de 1970 tinha sido vítima de uma tentativa de sequestro por parte de um bando armado, pistoleiros da ditadura, para ser torturado ou morto na tentativa de extraírem informações sobre o partido, PCBR, e os companheiros.

O bando não tinha mandado judicial, nenhum do bando sequer se identificou ou qualquer deles deu voz de prisão, de pronto agarraram ele e Paulo Pontes e imediatamente os jogaram em um jipe da Aeronáutica. Theo resistiu e atirou em dois, um deles morreu e o outro ficou ferido, o que faleceu era sargento da força aérea e o outro da polícia federal.

A tentativa de sequestro de Theo e de Paulo Pontes e a morte do militar aconteceram no entorno do Dique do Tororó, em Salvador, BA, onde hoje tem um viaduto. Ali mesmo quase foram trucidados. Um dos componentes do bando fez disparo contra a cabeça de Paulo Pontes mas a má qualidade da munição o salvou da morte certa. Theo estava com dezoito anos de idade.

As circunstâncias induzem a pensar que a morte do sargento os salvou da morte pois à medida que o tempo passava mais difícil se tornava ocultar a prisão dos dois e além do mais uma explicação precisava ser dada para a morte do militar, que fazia um servicinho extra.

Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade aqui em Salvador Theodomiro disse que reagiu porque preferiu morrer por tiros que ter a mesma morte de Mário Alves, secretário geral do PCBR que foi assassinado dentro das dependências do Exército no Rio de Janeiro em um suplício medieval, foi empalado.

Deram fim em seu corpo para tentar ocultar o crime bárbaro e até hoje a família não teve oportunidade de dar um sepultamento decente a seus restos mortais. Esta mácula o Exército brasileiro jamais apagará de si, arcará com o peso do assassinato infame e covarde. 

Em um simulacro de processo na Justiça Militar Theodomiro foi condenado à morte, depois comutaram a pena para prisão perpétua, depois trinta anos e por último para dez anos e quatro meses, isto depois da nova lei de segurança nacional da época.

Seus advogados em uma luta incansável e destemida requereram a progressão de regime, a liberdade condicional, que pode ser requerida depois de cumprido um terço da pena. Negaram. Ele já tinha cumprido mais de nove anos da pena.

Tudo era muito óbvio pois com a anistia que se avizinhava todos os outros presos políticos ganhariam a liberdade e Theodomiro ficaria só em um ambiente controlado pela meganha. Seria assassinado. Todos sabiam que a Justiça Militar era um braço dos órgãos da repressão aos que resistiram à ditadura instalada com o golpe de Estado de 1964 e seria cúmplice do crime.

Foi nestas condições que Theodomiro empreendeu a busca de sua liberdade no dia 17 de agosto de 1979, onze dias antes da anistia concedida em 28 de agosto do mesmo ano. Seu partido jamais o abandonou, o PCBR chamou para si a responsabilidade da fuga até sua chegada na Nunciatura Apostólica, o equivalente a embaixada do Vaticano em Brasília, de lá foi para o México e depois para a França.

Voltou ao Brasil em 1985 com o fim da ditadura, fez o curso de Direito na UFPE, em seguida foi aprovado em concurso para juiz do trabalho, função em que se aposentou.

Jamais renegou seu passado de jovem guerrilheiro combatente da ditadura e defensor do socialismo. Quando esteve em Salvador para depor na Comissão Estadual da Verdade eu conversei com ele. Irradiava simpatia, serenidade e determinação resoluta: me contou que tinha uma pistola e a cada dois anos ia renovar o porte da arma no Exército. Penso eu: quem quisesse fazer alguma retaliação teria certeza que ele iria se defender.

Quem combateu a ditadura defendeu o interesse público, o interesse de todos, pois a infame era ilegítima, um governo de fato, como todo governo baseado na força, e ilegal, as autoridades agiam arbitrariamente, vigia o crime como forma de governar.

Theodomiro morreu serenamente, depois das consequências de um AVC hemorrágico, no seio de sua família e muito estimado por seus companheiros de luta política contra a ditadura.  

terça-feira, 9 de maio de 2023

          OS PERIGOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

                     


A pauta neoliberal ("identitária") mostra sua face sem rebuços no empreendedorismo. Este é o cimento da competição extrema que é instigada entre os trabalhadores pela preterição "identitária". 

Esta pauta infame colonizou os partidos de "esquerda" e é a pauta das grandes redações da mídia corporativa e familiar. O capitalismo é aceito por esta gente como impossível de ser superado, já partem desta aceitação ideológica neoliberal.

À vista disso ganharam a batalha ideológica no momento, nada há que possa ser feito, pois a manada encontrou seu ópio.

Para Gramsci para se formar um partido é imprescindível que existam intelectuais em três níveis. A vitória total e sem luta da pauta neoliberal mostra que não temos os elementos indispensáveis para formar um partido de esquerda. A teoria marxista do capitalismo foi suplantada e renegada. Nem se fala mais em luta de classes.

A web sem regulamentação e com seus algoritmos direcionadores foram decisivos nesta batalha. O comportamento de manada foi turbinado em escala exponencial com estas duas ferramentas. As manadas vão fazer misérias mais do que já fazem. Outra pessoa foi linchada no Guarujá [1], litoral paulista, devido a esta conduta infame da manada potencializada pela web.

Parece que com a inteligência artificial a tendência é serem multiplicadas estas condutas abjetas da malta linchadora, que é principalmente anti-intelectual.

Aquilo que é muito simples para uns poucos é impossível para o rebanho, pensar criticamente. Pensar é um trabalho, analisar fatos e argumentos demanda esforço mas tem recompensas pois caso você não olhe de maneira crítica o que lhe chegar acreditará em qualquer coisa.

A força da inércia sempre tem vencido. Mas tem também um agravante, desde tempos não datados que os crédulos por fraqueza rejeitam a verdade e a realidade. Esta escumalha é uma colônia de micróbios. As piores injustiças sempre foram cometidas por esta escória.

Assistam o vídeo com Miguel Nicolelis [2] e vejam o lado perigoso da inteligência artificial, estabelecer na web o ponto de vista único, justamente o que serve de alimento à malta linchadora em sua preguiça mental e sanha abjeta que emana da vida em rebanho.

 Notas

 [1]  Morte de homem no Guarujá ‘repete’ linchamento sofrido por mulher após boato falso

https://noticias.r7.com/sao-paulo/morte-de-homem-no-guaruja-repete-linchamento-sofrido-por-mulher-apos-boato-falso-09052023

 [2] O ChatGPT modifica a verdade?

https://www.facebook.com/watch/?v=3355774064639180


quinta-feira, 6 de abril de 2023

             COMIGO NÃO, VIOLÃO


       


Os meios de comunicação, em especial a Rede Globo de Televisão, desde a fundação do PT e com uma intensidade inaudita desde 2005 semearam o ódio e instigaram a violência contra os principais dirigentes do partido.

Mas o ódio, por razões óbvias, não pode ser compartimentado e se espalha pelo tecido social.

Desta maneira a sociedade fica histérica, instável e manipulável. Não existe almoço de graça, como dizem os que usam a linguagem das corporações de negócios.

Os dois anos que antecederam o golpe de 1964 e os anos em que Hitler preparou sua escalada foram de disseminação de ódio.

Sem este ódio não existiria a ascensão de Hitler, nem a Segunda Guerra Mundial, nem as câmaras de gás e nem os fornos crematórios.

Os meios de comunicação cometem o crime perfeito, i. é, na frente de todos e sem que vejam. Agora se fazem de atoleimados e sem saber o por que atos bárbaros como o assassinato da professora de 71 anos e esta chacina de 4 crianças aconteceram.

Comigo não, violão.

 


sábado, 1 de abril de 2023

                         CHEGA DE LAMBANÇA


        


Preciso de umas férias, uma temporada na fazenda, qualquer coisa que seja longe de gente histérica e que só atrapalha a reflexão serena.

Não vivo sem bússola, é de minha natureza, preciso entender os fatos e o mundo que me chega pelas notícias, não gosto de me sentir como folha ao vento e preciso de distanciamento emocional para refletir. A gosma emocional só atrapalha o discernimento.

No livro de Turgueniev, PAIS E FILHOS, tem um personagem inesquecível, entusiasta das ciências naturais, se bem me lembro era químico, Bazarov, este é o nome do cara.

Sujeito intrépido, quando fazia frio ele dormia na varanda (parece coisa de Raul Seixas mas não é, está assim mesmo no livro). Tudo vai bem na vida do cara, a razão não abre espaço para o gogo emocional até que se apaixona e aí põe fim à vida mas não cede. Parece que no livro é chamado de niilista, uma injustiça pelo sentido que a palavra tem hoje.

Todas as vezes que a emoção domina a pessoa só faz lambança. Não nego as emoções, pois não sou maluco, mas acho que precisam ser bem orientadas e não se deve agir por impulso.

Até mesmo as piores coisas demandam planejamento para serem bem executadas e serenidade para serem compreendidas. Alegria para serem bem feitas, dizia seu Rosa, o das gerais.

É bom ter cuidado com o apelo à piedade, a intimidação, uso do medo e as diversas formas de coação. Desestabilizar emocionalmente sempre foi uma forma de dominar e induzir. Todo cuidado é pouco nestes dias de intensa histeria.

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

                                     COMO AGE A ESCÓRIA

         

Na entrevista do Presidente Lula dada à TV 247 anteontem, 21 de março, ele falou que teve momentos em que não acreditava que a Operação Lava a Jato chegaria a prendê-lo pois para tanto precisariam inventar crimes (e imputá-los ao Presidente).

Por esta afirmação percebe-se que o Presidente é um homem que crê na bondade das pessoas e não imagina o quanto elas podem ser ruins, perversas, corruptas e más, como dizia o gênio florentino.

Não acreditava mas teve que mais adiante acreditar pois a prisão e os processos eram reais, embora fraudulentos. Elementos vis, reles, tinham o prazer em dizer: "Ele foi julgado em duas instâncias e outros recursos foram negados provimentos no STJ e no STF. Então quer dizer que estão todos errados?"

É assim que procediam Silas Malafaia, Magno Malta e outros velhacos de menor calibre. Todos diziam a mesma coisa pois é assim que age a escória, sem interesse pela verdade, mesmo que ela esteja quase à flor da terra, no caso, disponível na web; bastava ler a sentença do delinquente juiz parcial e outras peças dos autos para ver a ausência de crimes e consequentemente de provas.

Chamo Sérgio Moro de delinquente porque é impossível um juiz condenar alguém sem provas e sem crime sem cometer delitos como prevaricação, entre outros.

Qualquer pessoa que conheça um pouco o Judiciário brasileiro sabe que sempre que alguém disser que é vítima desta direita togada deve-se averiguar (lendo os autos e o que mais seja necessário em uma investigação para saber a verdade) pois pode proceder a notícia da injustiça.

A verdade nua e crua é que se um juiz, Desembargadores ou Ministros resolverem lhe meter na cadeia ou retirar de seu patrimônio todos os seus bens não precisarão de provas pois seu direito será atirado no vaso sanitário e dada descarga.

Não existe justiça sem verdade e isto faz a diferença entre as pessoas. Pesquisar para saber a verdade, é assim que age uma pessoa honrada; a escória se refestela na mentira e na infâmia com aberto prazer.

 

quinta-feira, 16 de março de 2023

    É MUITO DIFÍCIL A DEFESA DE QUEM NÃO SE DEFENDE


     


Tenho como certo que uma das formas de controle social mais eficaz é fazer o indivíduo temer a opinião alheia. Os soldados da classe dominante sempre usaram esta arma contra quem se opôs a mais brutal exploração da força de trabalho no Brasil.

Nunca tive medo da opinião alheia porque sei que os estúpidos são facilmente manipuláveis e que se tem um preço pagar por ser livre e exercer a liberdade, principalmente quando se é de esquerda. Nada é gratuito nesta vida.

Outra coisa, cada um tem o direito de ter sua opinião e arcar com as consequências de dizê-la. Portanto, quem inventar estória é que tem que andar em pânico com medo de processos. No mais, quem não se pauta na verdade nada tem a dizer que me interesse e então deve guardar sua opinião, metê-la na gaveta ou onde quiser.

Digo isso porque o advogado Cristiano Zanin será indicado pelo Presidente Lula para o STF e uma das teses defensivas de sua ida para a Corte Constitucional é que nunca criticou o Judiciário nem apontou nenhuma de suas mazelas.

Julgo esta tese péssima pois incentiva mais ainda a submissão dos advogados diante de um Judiciário que precisa ser reformado e que permitiu que o Presidente Lula ficasse 581 dias preso e respondesse a 25 processos farsescos, nenhum deles era mais que um embuste, como restou provado.

Não tenho dúvidas que um dos melhores momentos da defesa de Dr Zanin foi quando advogados do entorno do Presidente Lula insistiram para que houvesse desistência do habeas corpus em que se alegava a suspeição do chefe da "operação lava a jato" e ele, segundo matéria da revista PIAUI, disse que se ocorresse tal desistência que então procurassem outro para patrocinar a defesa do Presidente.

Como é conhecido, o Presidente Lula decidiu não desistir do habeas corpus e o simulacro de juiz foi julgado suspeito. Todo advogado já enfrentou ou arrostará problema análogo pois são raros os constituintes que não se acham conhecedores do direito e grandes táticos das batalhas jurídicas.

Vejamos um caso que considero um equívoco de defesa. O Ministro José Dirceu optou por não combater fora dos autos dos processos as condenações que injustamente lhe impuseram na AP 470 e na operação de Sérgio Moro. Suportou tudo estoicamente.

Considero a tática do Ministro Dirceu um erro; ele teve uma enorme consideração por um Judiciário que o perseguiu e o expôs à execração pública com a finalidade de retirá-lo da disputa política.

Deu no que deu, quase ninguém o defende. A verdade é que ninguém defende quem não se defende e não fornece informações para que outros também lhe defendam.

Tenho como certo que quem for perseguido por um inimigo disposto a destruí-lo deve cavar uma trincheira e atirar com as duas mãos até o último cartucho. O inimigo precisa saber que os danos e os riscos serão recíprocos, é uma lei da guerra.

Nisto tudo não podemos deixar passar despercebida uma sutileza na conduta de advogados famosos e ricos que defendem a submissão e não a crítica a  um Poder Judiciário que a cada dia se desmoraliza mais e mais: os caras tem interesse em ir para o STF, tem amigos nos Tribunais e coisa e tal.

Com esta conduta abjeta muitas vezes rifam os interesses e direitos de seus clientes pois seus próprios interesses estão em primeiro lugar.

Ser ninguém na fila do pão pode ter uma vantagem: fazer uma advocacia desassombrada em acordo com o Código de Ética da advocacia.