UM POUCO DE PSICOLOGIA DAS MASSAS
O Governo de Bolsonaro tem um índice de aceitação pela população
aparentemente inexplicável pois direitos e instituições do Estado-nacional
estão sendo reduzidos a pó. O conservadorismo das massas é desesperador.
Sempre tive muito cuidado com este conservadorismo, o eleitor é conservador, aceita condutas perfomáticas e extravagantes em cantores de rock e
artistas plásticos mas aos políticos nada disto é permitido.
O eleitor é capaz de votar em alguém mal-humorado mas não vota em um
gaiato. Política é tragédia. Quem nela quiser fazer palhaçadas errará de palco.
O capitalismo também se reproduz moldando o tipo de homem que lhe
convém. Em outras palavras, sem aviltar e degradar a massa trabalhadora para
subjugá-la não existe dominação capitalista.
A ameaça da fome, o analfabetismo e o semi-analfabetismo são os meios
mais usuais para esta degradação. É assim que se forma uma corrente sem fim de
puxa-sacos.
Saber lidar com este conservadorismo e subserviência exige conhecimento
da psicologia das massas e das guinadas que estas dão quando diante de
acontecimentos que causam comoção nacional.
Nestes momentos grandes mudanças podem acontecer. As estruturas que
sustentam uma elite ou uma classe no poder podem ruir. Mas para tanto é preciso
um partido organizado para transformar este vapor em força para a tomada do
poder.
Esta organização política tem que necessariamente ter pessoas
qualificadas para esta tarefa. Para se ter uma ideia disto: do grupo que
dirigia o Partido Bolchevique que tomou o poder em 1917 quem falava menos
línguas dominava seis idiomas, dominava a palavra escrita, todos eram
publicistas com livros escritos, e tinham determinação para a disputa do poder.
Uma elite deste quilate e em defesa dos ideais socialistas jamais voltou
a se repetir seja qual for o lugar do mundo que se procure.
Só pessoas intelectualmente qualificadas são capazes de romperem
politicamente o conservadorismo das massas aviltadas pelo analfabetismo e
humilhação seculares. Estas sempre foram
barreiras difíceis de serem transpostas
pela esquerda.
Daí as massas aprendem pela experiência e os grandes acontecimentos que
causam comoção são a gota d'água que podem fazer romper a bolha do
conservadorismo e do medo.
Os grandes acontecimentos são os catalisadores de uma gama infinita de
pequenos acontecimentos acumulados. Precisamos contribuir para os efeitos deles
interpretando-os bem como aproveitar as oportunidades que surgem quando estes
ocorrem; antes que as massas voltem ao seu sono conservador e o cotidiano com
seu peso esmagador volte a predominar.