quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

 

                                   FREUD EXPLICA

  

  


Há duzentos anos li dois textos de Freud, O FUTURO DE UMA ILUSÃO e O MAL-ESTAR DA CIVILIZAÇÃO. Li mais algumas coisas de intérpretes e vulgarizadores mas desisti de conhecer mais as ideias deste desbravador da psicologia profunda da sociedade.

Priorizei conhecer as classes sociais, a teoria das elites, instituições tais como os partidos, o Estado, as filosofias políticas. Hoje considero que conhecer as ideias de Freud sobre a sociedade é imprescindível.

Como entender a covardia coletiva manifestada em atos cruéis contra pessoas vulneráveis, indefesas ou em minoria sem Freud?

Como entender a rejeição da sociedade em ser "psicanalizada", em aceitar suas culpas, sem recorrer a Freud?

Como entender o "efeito manada", a covardia organizada, ou a relação quase sexual do líder com a massa sem recorrer às ideias dele?

Sempre que presencio uma manifestação da covardia coletiva, a manada cometendo mais um linchamento para esconder sua fraqueza em conviver com a realidade penso logo, "Freud explica."


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

                                  QUANDO A VIDA VALE A PENA

 

                               


Ano Novo chegando e as tradicionais mensagens estão sendo enviadas, acho-as oportunas neste ano em que a morte rondou a todos. Mando aqui a minha mensagem para os leitores do blog. Se você tem um objetivo que realmente considera relevante nunca desista dele, não meça os sacrifícios, se preciso for meta um avião na torre, desafie a miséria extrema mas jamais desista.

Isto vale também se você tiver um grande amor. Lembro-me do que disse Drumond de Andrade em um de seus poemas, "amor que acaba não é amor e merece realmente acabar."

Quando você desiste de seus objetivos renuncia um pouco ao que você é, perde sua identidade. E quando sua identidade entra em crise isto repercute entre suas pernas, como dizia Paulo Francis.

Tudo o que é feito com paixão ganha um toque de grandeza. Creio que um pouco de fanatismo ajuda a viver. Desta maneira é melhor até ser stalinista do que não ser coisa nenhuma. A receita certa para o fracasso é fazer as coisas pela metade.

Renunciei a poucas coisas, não se pode ter tudo o que se quer. Aprendi que existem coisas que se faz ou abandona de uma vez, sem olhar para trás. Esta é a melhor parte... Foi assim que aprendi o valor do esquecimento, do lapso de memória, da amnésia ou até do mal de Alzheimer.

Já li em algum lugar que a experiência tem o mesmo valor para nós que os faróis voltados para trás em um carro. Não concordo, sempre se pode recomeçar tudo de novo. Mas acho importante mesmo é ter colhões para colocar todas as fichas em uma só parada.

O Brasil é uma sociedade autoritária e se você vacilar um simples segurança de shopping vai lhe colocar de joelhos. E aí se você amar mais a vida que sua honra vai também arriar as calças e rastejar como um verme.

E a coragem é a mãe de todas as virtudes pois sem ela as outras não se sustentam...

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

 

           UM POUCO DE PSICOLOGIA DAS MASSAS

 



O Governo de Bolsonaro tem um índice de aceitação pela população aparentemente inexplicável pois direitos e instituições do Estado-nacional estão sendo reduzidos a pó. O conservadorismo das massas é desesperador.

Sempre tive muito cuidado com este conservadorismo, o eleitor é conservador, aceita condutas perfomáticas e extravagantes em cantores de rock e artistas plásticos mas aos políticos nada disto é permitido.

O eleitor é capaz de votar em alguém mal-humorado mas não vota em um gaiato. Política é tragédia. Quem nela quiser fazer palhaçadas errará de palco.

O capitalismo também se reproduz moldando o tipo de homem que lhe convém. Em outras palavras, sem aviltar e degradar a massa trabalhadora para subjugá-la não existe dominação capitalista.

A ameaça da fome, o analfabetismo e o semi-analfabetismo são os meios mais usuais para esta degradação. É assim que se forma uma corrente sem fim de puxa-sacos.

Saber lidar com este conservadorismo e subserviência exige conhecimento da psicologia das massas e das guinadas que estas dão quando diante de acontecimentos que causam comoção nacional.

Nestes momentos grandes mudanças podem acontecer. As estruturas que sustentam uma elite ou uma classe no poder podem ruir. Mas para tanto é preciso um partido organizado para transformar este vapor em força para a tomada do poder.

Esta organização política tem que necessariamente ter pessoas qualificadas para esta tarefa. Para se ter uma ideia disto: do grupo que dirigia o Partido Bolchevique que tomou o poder em 1917 quem falava menos línguas dominava seis idiomas, dominava a palavra escrita, todos eram publicistas com livros escritos, e tinham determinação para a disputa do poder.

Uma elite deste quilate e em defesa dos ideais socialistas jamais voltou a se repetir seja qual for o lugar do mundo que se procure.

Só pessoas intelectualmente qualificadas são capazes de romperem politicamente o conservadorismo das massas aviltadas pelo analfabetismo e humilhação seculares. Estas  sempre foram  barreiras difíceis de serem transpostas pela esquerda.

Daí as massas aprendem pela experiência e os grandes acontecimentos que causam comoção são a gota d'água que podem fazer romper a bolha do conservadorismo e do medo.

Os grandes acontecimentos são os catalisadores de uma gama infinita de pequenos acontecimentos acumulados. Precisamos contribuir para os efeitos deles interpretando-os bem como aproveitar as oportunidades que surgem quando estes ocorrem; antes que as massas voltem ao seu sono conservador e o cotidiano com seu peso esmagador volte a predominar.

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

 

                                 SÓ FOGO

                                        



"Ninguém quer ser processado por uma Instituição não isenta. Há um direito fundamental do réu a ser acusado por um órgão imparcial." Lênio Streck

Quero saber se já nasceu um deus capaz de enfiar esta assertiva acima na cabecinha de um Promotor de Justiça. Já presenciei bons Promotores acusarem sem justa causa e deixarem para a defesa a tarefa de virar pelo avesso a narrativa acusatória e obter assim a absolvição dos réus.

Não tenho dúvidas: acusar sem provas é abuso de autoridade, crime pela nova lei que trata dos crimes de abuso de autoridade, antes era apenas um ato irresponsável. Melhorou alguma coisa.

Outra ilegalidade se manifesta quando o Promotor toma conhecimento depois de ter oferecido a denúncia de que o réu é inocente por provas incontestes ou constata a atipicidade da conduta do acusado e pede a absolvição por falta de provas.

Isto é um desastre e não encontra abrigo nem na Constituição nem na legislação infraconstitucional. Tem raízes na fraqueza e falta de caráter.

Contudo, se é fácil diagnosticar o problema, difícil é resolvê-lo pois não existe concurso que detenha um covarde ou mau-caráter de integrar o Ministério Público ou a magistratura monocrática, outra calamidade.

Então para cauterizar este câncer chamado magistratura monocrática defendo quebrar as pernas do Judiciário que temos ampliando a competência do Tribunal do Júri para julgar todos os crimes e demandas cíveis.

Como dizem que a concorrência oferece os melhores produtos e serviços, a magistratura monocrática continuaria como opção e caberia ao cidadão escolher se gostaria de ter sua demanda julgada por um juízo singular ou pelo Júri.

Quanto ao Ministério Público está provada a falência da instituição nos moldes como está na Constituição pois tal como se encontra o bom e responsável manejo da ação penal pública depende do caráter do Promotor.

 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

 

                       UMA NOVA CLASSE?

 



O profº  Ricardo Liper mencionou o livro de Milovan Djilas, A NOVA CLASSE, em uma de suas postagens no Facebook e isto me instigou a escrever minha conclusão dos fatos abordados neste importante livro.

Li o livro de Djilas com atenção, gostei muito pois para mim ele mostra que quando a classe política se sobrepõe à sociedade é ruim e as consequências são as mesmas que a de qualquer monopólio.

Djilas tinha formação em direito e tentou criar uma teoria para explicar o que de fato ocorria no socialismo construído por estatização total da economia e da política; estatização da política por meio do partido único, da ideologia oficial e da propriedade estatal dos meios de produção.

Com o fim do estatismo socialista o que restou provado é que a propriedade era estatal realmente e não de uma nova classe como ele afirmava.

Djilas por ser advogado sabia que o direito de propriedade é decomposto nos poderes de o proprietário usar, gozar e dispor de seus bens, e como a classe política no estatismo socialista tinha o monopólio da política e da gerência do Estado, e por consequência, de seus bens, isto o induziu erroneamente à ilação de que existia uma nova classe.

Para mim nestas sociedades existia um monopólio da política pela classe política e suas consequências, que são as de todos os monopólios, como antedito.

Só a participação da sociedade através da radicalização da democracia direta e participativa em conselhos populares equilibra e impede o possível monopólio da política pela classe política. Política é coisa muito importante para ficar exclusivamente nas mãos de políticos profissionais.

 

domingo, 22 de novembro de 2020

 

      DEFENDENDO IDEIAS ALHEIAS PENSANDO SER SUAS

 


Defender uma causa politicamente de maneira que a torne um direito demanda habilidade. Não duvide, existem pessoas que só sabem criar inimigos para o que defendem.

Ouvi a seguinte história: um sujeito tomava umas "canas" e quando chegava em casa batia no cachorro, "brincava" com o bicho em um jogo de ataque, defesa e porrada. Um dia o cão o atacou e o matou.

 O sujeito não sabia mas estava treinando o cão para atacá-lo. Pois é assim que funciona quando uma causa é mal defendida perante a opinião pública, ao invés de formar apoiadores o sujeito cria inimigos para si e para o que defende.

Um mal vendedor age assim também: além de não efetuar a venda treina o possível consumidor para falar mal da loja. É preciso levar isto sempre em consideração, o quanto contribuímos por inabilidade para o fracasso do que defendemos.

Por certo não devemos fazer nestas situações como disse aquele sujeito jornalista: a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quero.

domingo, 11 de outubro de 2020

 

       VIVER COM MEDO É VIVER PELA METADE


                          


O assassinato de Che Guevara na Bolívia em 8 de outubro de 1967 fez 53 anos e ele permanece lembrado, mesmo que muitos não entendam o por quê.

Che está entre aqueles que viveram uma vida extraordinária e tudo leva a crer com receita bem simples, como fizeram o Capitão Lamarca, a Irmã Dulce, O Presidente Lula, Zé Dirceu...

A receita parece ao alcance de qualquer um: consagrar-se sem reservas ao que se acredita, nada de viver pela metade. Nada de falar uma coisa e fazer outra, nada de vender o que não se tem para entregar...

 Em minha maneira de perceber no meio de todo fracasso entra o medo, que como a preguiça e a pressa, é um letal carrasco de nossos sonhos e projetos.

É bem verdade que as desilusões muitas vezes são fulminantes tiros em nossa ignorância e por isso são liquidatárias de tantos projetos também.

 Contudo, de todo sucesso se pode aprender que o medo mata na raiz tantas vidas ao reduzi-las a formas tão simples como a das amebas.

Penso em uns caras que admiro as trajetórias. Se Marx tivesse medo da pobreza não teria feito a obra que nos legou; se Trotski tivesse medo não seria Leon Trotski, o homem que comandou a insurreição vitoriosa na Revolução que mudou o rumo da história...

Os exemplos são muitos e deles se extrai sem dúvidas que viver com medo é viver pela metade. Daí, penso eu, nascem tantas coisas erradas neste mundo malfeito pois por medo deixamos que os mais audaciosos e malandros mandem no mundo, o medo é assim também uma forma de controle social.