quarta-feira, 22 de abril de 2020


              HÁ 150 ANOS NASCIA LÊNIN



                              A atualidade de Lenin para nossos dias (um diálogo com The ...



Há exatos 150 anos, no dia ia 22 de abril de 1870, nascia em Ulianovsky, na Rússia, Vladimir Ilyich Ulianov, codinome Lênin.

Não sou leninista mas Lênin merece ser estudado, seu realismo e capacidade de perceber as oportunidades nas conjunturas políticas merecem ser objeto de meditação e aprendizado. 

Um dos pilares da teoria de partido de Lênin é o conceito de revolucionário profissional, que moldou muita gente boa mundo afora. Contudo, esta teoria de partido não nos serve pois feita para outra realidade cultural, política, psicológica e moral.

Carlos Marighella rompeu com o PCB e com a teoria leninista de partido e em 1967 fundou a ALN - Ação Libertadora Nacional - com outros companheiros e com isto abriu uma alameda por onde passaria a possibilidade de se construir posteriormente o PT.

Em termos teóricos a ALN era uma liga, uma organização pré-partidária voltada para a ação direta e para a propaganda, principalmente pela ação, composta de grupos autônomos e horizontalizados. No entanto, o fato mais importante é que a liderança de Marighella e de seus companheiros teve dimensão suficiente para romper a autoridade ideológica do Partidão e firmar a possibilidade de se organizar um partido político em outras bases teóricas.

Com isto e depois de muitos erros e aprendizado foi construído o PT em outras bases teóricas e até mesmo antípodas do leninismo, com democracia interna e consentâneo com a realidade psicológica, política, moral e cultural do povo brasileiro.

Tudo isto se explica se for aceito que existe mais de um marxismo, o de Lênin é autoritário, voluntarista, com forte viés da herança dos jacobinos.

Sua concepção estratégica, na qual o partido de organização vertical e a ditadura (jacobina) são basilares, é um atalho com sérias consequências políticas. Ainda assim, com sua vitória em 1917 ele se firmou como um dos grandes estrategistas da esquerda; o outro é o italiano Antonio Gramsci.

A dedicação de Lênin, sua perseverança, seus erros, tino político e grandeza merece que estudemos sua obra, seus feitos e sua biografia pois nos deu um sinal de que o capitalismo pode ser superado.



quarta-feira, 15 de abril de 2020


               RUBEM FONSECA MORREU



      
Rubem Fonseca morreu, hoje, 15 de abril. Estava com 94 anos e enfartou.

Li vários livros dele, alguns achei banais, outros gostei. Achei muito interessante um escritor brasileiro escrever sem fazer concessões ao sentimentalismo gosmento que permanece grudado no povo brasileiro.

Rubem Fonseca escrevia com uma fúria demoníaca. Os contos Feliz Ano Novo e O Cobrador deram títulos a livros de contos e são Rubem Fonseca em estado puro. Nos dois contos ele tenta mostrar a guerra declarada - e não oficializada - pelos assaltantes em busca da grana. Por eles a grana é distribuída nas pontas dos canos das armas.

A luta pela grana nesta guerra latente beira a luta de classes mas não é, penso, os assaltantes não têm consciência social e política, querem grana para gastar e consumir as bugingangas do capitalismo, o ódio aos ricaços tem muito de inveja, os caras gostariam de viver como a elite, vírus que jaz incubado no sangue de muitos esquerdistas.

Neste limite entre consciência de classe e inveja da elite o Cobrador enuncia: "Digo, dentro de minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, buceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo. Um cego pede esmolas sacudindo uma cuia de alumínio com moedas. Dou um pontapé na cuia dele, o barulhinho das moedas me irrita."

O ódio pelos que têm grana bate no teto quando o Cobrador mata um casal de ricos, a mulher está grávida, ele atira no umbigo para desencarnar primeiro o feto, depois faz "na têmpora dela um buraco de mina." Em seguida decapita o marido e recita: "Salve o Cobrador! Dei um grito alto que não era nenhuma palavra, era um uivo comprido e forte, para que todos os bichos tremessem e saíssem da frente. Onde eu passo o asfalto derrete."

Quem não conhece os dados básicos da vida de Rubem Fonseca pode até julgá-lo um gênio mas quem sabe que ele para sobreviver foi até delegado de polícia tem ciência que o conhecimento da psicologia dos criminosos que cometem crimes contra o patrimônio é oferecido factualmente a quem labora com o direito penal.

A crueldade gera lucro e faz fortunas, ou você acha que alguém rouba um centavo movido por bons sentimentos? Empresário ou assaltante não conhece a compaixão, isto atrapalha os negócios, que no caso têm objetivos idênticos. "Ah, certas pessoas pensam que a vida é uma festa.", dizia o Cobrador.

Digam o que quiserem da obra de Rubem Fonseca mas ele escrevia como escrevem os grandes escritores, sem fazer concessões, aos outros cabe interpretar e julgar como quiserem.

Aqui na Bahia um professor de literatura e escritor, Ildásio Tavares, falecido, que era do círculo de amigos de Rubem Fonseca me disse ser o Rubão pessoa afável, sedutor, de incrível sucesso com as mulheres. Sei também que tinha uma bicicleta com a tralha necessária para cuidar das árvores do Leblon, bairro em que morava.


sábado, 4 de abril de 2020


            A PESTE, A CIÊNCIA E OS FATOS



                          Memes De Ciência (@memesdeciencia) | Twitter


Enclausurado não controlo minha vontade de buscar as causas desta loucura mansa, mas nem tanto, o negacionismo - que conheci quando tive contato com pessoas que diziam que fatos não existiam e a verdade era inalcançável.

Nasci em uma cidade do interior do Estado da Bahia e fui "salvo" do analfabetismo graças ao meu interesse pela ciência e pelo método científico. Meus professores nada me diziam sobre ciência e método científico porque também não sabiam; lá não tinha universidade nem livraria e a biblioteca pública era meia-sola, o que era muito melhor que nada.

Sozinho, cercado de analfabetos por todos os lados (embora pessoas boas como meus familiares) buscava com sofreguidão saber o que era a ciência e o método científico. Li biografias de cientistas, Galileu, Darwin, Newton, Marx, Pierre e Marie Curie, entre outros; os livros não eram bons como os que dispomos hoje mas era os que eu tinha.

Quando entrei no curso de direito já sabia que toda ciência tem um método e um objeto de estudo e sabia o que era um fato e o que era uma hipótese e que esta só se sustenta mediante provas. Não era pouco para quem tinha aprendido pelo próprio esforço.

O direito não é uma ciência, seu método não é o da ciência, aquele firmado e depurado pela epistemologia. O direito é uma técnica de controle social. Seu método, a hermenêutica jurídica, é um conjunto de técnicas e princípios de interpretação de leis.

Na Faculdade de Direito e na FFCH da UFBA encontrei negacionistas empedernidos, aqueles que negam a existência de fatos e por consequência a impossibilidade da ciência e de um conhecimento minimamente objetivo, pautado em fatos, provas e método sistematizado.

Os Códigos de Processo Civil e Penal do Brasil e creio que do resto do mundo incorporaram os avanços da epistemologia no que diz respeito a fatos, hipóteses e provas. Em toda ação, seja cível ou penal, tem o autor o encargo de narrar um ou mais fatos e deduzir as consequências jurídicas que amparam seu pedido sob pena de ser inepta a petição inicial, que na área penal chama-se de denúncia (quando se trata de ação penal pública cujo titular é o Ministério Público).

Pois bem. Com tudo isso exposto nos códigos de processo ainda aparecem negacionistas para dizerem em artigos extensos e amplamente divulgados que a verdade não existe ou é inalcançável em verdadeiro exercício de subjetivismo e ignorância diplomada. 

O negacionismo da ciência vem de muitos anos. O subjetivismo desta gente é tão perturbado que ganhei alguns inimigos por defender que existiam fatos e que fato provado é a verdade, não provado é ficção. Me elogiavam sem querer me chamando de positivista. 

Com a peste se alastrando o valor da ciência tem sido realçado e vários anos de negacionismo e subjetivismo extremo têm se mostrado um equívoco. O negacionismo é um desatino que beira a demência, é a expressão do mais desvairado subjetivismo, a ignorância sem a vergonha de ser ostentada.

Até uma "nova" epistemologia tem sido propalada. Dizem sem nenhuma vergonha que a ciência desenvolvida por Newton, Galileu, Einstein, Niels Bohr, Darwin e outros é branca, eurocêntrica e machista.

Mas os fatos têm o poder de se impor e romper as mais renitentes fantasias. A peste está mostrando que sem a ciência não sobreviveremos e que os vários anos de negacionismo e subjetivismo extremado são coisas ridículas e nocivas.

Com a peste que se espalha, a ciência, que foi tão sabotada e ignorada, vai sair da berlinda por uma questão de sobrevivência e imposição dos fatos.


quarta-feira, 1 de abril de 2020


                      O DIA DOS PRESUNÇOSOS



Clube | Rio, Cidade "Sportiva"
Incêndio da sede da UNE em 1º de abril de 1964
             

Hoje, 1º de abril, dia universal dos tolos, completa 56 anos do golpe de Estado que usurpou o poder e depôs o Presidente João Goulart.

O Brasil adentrava naquele dia o período mais sangrento e obscuro de sua história, com morte de brasileiros heróicos sob torturas, assassinatos em emboscadas vis, estupros, roubos de bens dos aprisionados pelas equipes do Exército que os aprisionava, extorsão, destruição de provas e de corpos.

O crime era a forma de governo. A sociedade brasileira estupefata, medrou, não poucos correram para debaixo da cama.

No dia universal dos tolos o clima emocional no dia da vitória infame e passageira dos presunçosos era de desolação e traição, somente os estudantes na rua ofereciam alguma resistência, inclusive em Salvador.

A sede da UNE na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi incendiada neste dia infausto e a partir desta data a ditadura e o Movimento Estudantil se tornaram inimigos jurados, os estudantes a combateram até o último dia. Saíram das ruas em 1968 mas voltaram em 1977. Este duelo estava marcado.

Posta na ilegalidade logo após o golpe, a UNE subsistiu na clandestinidade, vários de seus presidentes foram assassinados, o último deles foi Honestino Guimarães, sequestrado em 5 de outubro de 1973 pelo CENIMAR (o serviço de informação da Marinha)  e depois assassinado, eviscerado e com pedras no abdômen seu corpo foi atirado no mar e sua família não obteve até hoje o direito de dar um sepultamento digno a seus restos mortais.

A verdade é que o Movimento Estudantil, secundarista e universitário, foi o único movimento social que ofereceu resistência à ditadura nas ruas e depois do AI-5 na clandestinidade e pela luta armada. O resto foi desarticulado ou medrou.


terça-feira, 31 de março de 2020


                          NUNCA MAIS



                          O golpe militar de 1964 e o Brasil: passado e presente – Blog da ...


Hoje é o dia que antecede o golpe de Estado de 1º de abril de 1964. Logo abaixo está um ótimo texto de Regina Monteiro [1]. É excepcionalmente bom porque nos mostra o dia-a-dia dos cidadãos sob uma ditadura.

Esta reconstrução de afetos, sentimentos e vivências mas sem esquecer a onipresença de um governo de força escapa aos historiadores, sociólogos e até aos relatos memorialísticos de quem combateu a ditadura no Brasil.

Este é um grande problema de historiadores, sociólogos e cientistas sociais: transformar eventos como uma ditadura em matemática, em teses, abstrações para as gerações que não presenciaram o que é viver sob um governo que se fia na violência, e que só poderão conhecer o que aconteceu pela reconstrução e análise dos fatos.

A vigilância diuturna sobre os cidadãos pelos órgãos da repressão, a violência física e psicológica, a intimidação pela tortura, os puxa-sacos fazendo carreira da maneira mais abjeta, a covardia e a ignorância como trunfo para sobreviver não podem ser vistas como banalidade.

A sociedade brasileira foi vergada e rastejou; todas as instituições medraram - Congresso Nacional, Ministério Público, Judiciário, OAB, igrejas protestantes -, quando não colaboram abertamente tal como a Maçonaria e o próprio Ministério Público.

Mas a verdade tem que ser dita, a ditadura não precisou de muito esforço para vergar a sociedade quase toda pois bastava a simples ameaça de retirar o emprego para pôr de joelho uma imensidão de gente.

Quem salvou a honra deste país não se vergou, procurou o exílio, a clandestinidade para atuar contra a infame e muitos saíram para a luta armada como Franklin Martins, Carlos Eugênio, Marighella, Toledo, Carlos Lamarca e muitos outros.

Uma banda da Igreja Católica não se deixou intimidar, alguns bispos como D. Arns e D. Helder Câmara resistiram, também ajudou não poder a ditadura retirar o emprego dos padres e dos bispos.

Nota

[1]

Por Regina Monteiro

“...Memória de um tempo em que lutar por seus direitos era um defeito que mata..” (Gonzaguinha)

Ainda dói...
Há datas que não devem ser comemoradas. Não, de jeito algum! Mas, precisam ser lembradas, sempre. Nunca poderão ser esquecidas. Pois, representam os erros da humanidade, a dor, o silêncio e a morte. Certas histórias não podem se repetir. NUNCA!
No Brasil, o maior exemplo é o dia 31 de março de 1964 quando os limitares deram um golpe e assaltaram o poder. Implantaram uma das piores ditaduras da América do Sul, extinguindo a democracia e implantando o terror.

Eu era uma criancinha de apenas 5 anos e me lembro daquele dia.... Lembro-me, principalmente, do medo que pairava no ar. Meu pai chegou em casa do trabalho mais cedo. Seu rosto estava marcado pela angústia e apreensão. Como meus tios, meus pais reuniram-se na casa de meus avós.

Lembro-me perfeitamente da ira de meu avô. Nossa, como me lembro! Ele espumava de raiva, esmurrava as paredes, xingava, gritava e dizia coisas sobre os militares da época que não posso repetir... por respeito aos amigos do Facebook.

Bem, cresci durante este triste período. Um dia, quando tinha 10 anos e cursava o primário, minha mãe foi me buscar na saída da escola, que ficava localizada em uma importante avenida no subúrbio do RJ. Estava anoitecendo e de repente nos vimos em meio a um grande confronto - os jovens estudantes enfrentavam a polícia do exército nas ruas. Minha mãe estava apavorada e tentava proteger a mim e meu irmão. Foi um horror! As cenas da violência policial nunca saíram de minha memória. A cavalaria da polícia passava por cima de rapazes e moças que apanhavam muito... Foi horrível. Durante muito tempo tive pesadelos todas as noites.

Após completar o primário, entrei no curso ginasial de uma escola pública e senti na pele o que era o regime militar. Basta dizer que meu diretor era um militar (não me lembro a sua patente). Ele impunha uma disciplina com mãos de ferro. Tudo era absurdo, censurado e todos vigiados. A pior recordação durante essa época foi a prisão de minha querida professora de história em sala de aula. Eu tinha 13 anos e nunca mais ouvi falar na professora Ana Maria. Os sussurros dos corredores da escola diziam que ela foi presa por ser ‘comunista’. Comunista? O que era comunista?

Na verdade, com o tempo compreendi que classificavam de ‘comunistas’ todos que não concordavam com o regime militar. Só isso. Foi aí que o tema começou a me interessar, para desespero de meus pais. Muitos livros foram queimados e a leitura estava proibida.

Entretanto, eu sempre dava um jeitinho de lê-los. Daí, achei o meu caminho. Aos 16 anos eu já sabia quais eram as minhas bandeiras.
A cada dia eu detestava mais a ditadura. Dei-me conta, inclusive, que muitos fatos que marcaram a história do Brasil, como as revoltas populares, foram suprimidos do currículo escolar.

Aos 18 anos cheguei à Universidade e ingressei no Movimento Estudantil. Participava de passeatas, da Campanha pela Anistia, assistia palestras sobre o direito das mulheres, filmes, shows dos artistas da resistência, enfim, estava envolvida até a raiz dos cabelos. E mesmo assim era uma excelente aluna.

Apesar dos anos de chumbo, do medo, das prisões e da tortura, foi na Universidade que vivi uma das melhores fases de minha vida, pelos amigos que conquistei. Tenho excelentes recordações.

Hoje, tenho consciência de tudo que me foi roubado pelo regime militar, como por exemplo: o amor pelo meu País, educação de qualidade, os amigos que desapareceram, amigos que foram presos e torturados, a liberdade de expressão, o direito ao voto e muito mais.
Quando a ditadura ruiu, meus filhos Juliana e Caetano já haviam nascido.

Passei a infância e a juventude vivendo sob o medo, a censura e o ódio. Medo que hoje me recuso a ter. Sei que muitos pensam que é bobagem, rancor e revanchismo falar desse período que manchou de sangue a história do País. Mas saibam que não é, não mesmo. É preciso contar a história para que nunca mais se repita.

Hoje, tenho o maior orgulho de ser brasileira, de ter vivido tudo o que vivi, das lutas que travei, de amar a liberdade e a democracia.
Meus filhos também têm orgulho de minha história, o que me dá uma imensa alegria.

Hoje, vivo sem medo de ser feliz.
Escrevi este texto em 2014. Hoje, o medo voltou.
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quinta-feira, 19 de março de 2020


             NUNCA MAIS NEOLIBERALSIMO


  
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Por onde andam Paulo Guedes, os capitalistas com e sem capital, os defensores do mercado como o pai e a mãe de todas as soluções?

O que estão fazendo os capitalistas para enfrentarem o corona vírus e suas consequências econômicas? E os banqueiros, hospitais e clínicas particulares, empresas de energia, telefonia e grandes varejistas? Nada, absolutamente nada. Sequer dispensarão os juros das contas vencidas e não pagas em razão das consequências das quedas nas receitas. Estão se reunindo para que os governos lhes socorram com grana. Do dia para a noite abandonaram o neoliberalismo e se tornaram keinesianos...

O mercado se rege pela lógica da acumulação de capital e um capitalista puro-sangue não faz filantropia, surrupia o que estiver ao alcance da mão e grita "pega o ladrão" para incriminar sua vítima, contanto que com isto aumente seu capital.

Com medo do mercado não proibiram o carnaval. O Governo Federal, dos Estados e dos Municípios se afrouxaram diante do mercado, da indústria hoteleira, das escolas de samba, dos blocos de carnaval, da indústria da cerveja e do próprio cidadão eleitor em sua obtusidade para entender o que acontece à distância de um palmo diante do nariz. 

Não proibir o carnaval foi um ato irresponsável pois todos sabiam que com a vinda de turistas da Europa e de outros lugares do mundo o vírus iria se espalhar no Brasil como fogo em palheiro.  

Os sociopatas do mercado só querem saber de grana. A lei do mercado é a lei da selva, a famosa lei do cão, a lei do mais ardiloso, inescrupuloso, salafrário, dissimulado e hipócrita. O mínimo que um comerciante faz é dar o preço pela cara do consumidor.

Quem defende o neoliberalismo defende a ausência de coleiras, regulação, leis que atuem como focinheiras para estes predadores, leis que protejam o consumidor, protejam as crianças proibindo o trabalho infantil, amparem os trabalhadores ativos, idosos e aposentados das consequências nefastas do capitalismo.

Com a pandemia do corona vírus a cobertura ideológica brandida para encobrir a ação dos predadores ruiu. As justificativas para privatizar tudo, o Estado mínimo, a defesa do mercado se autoregulando e regulando tudo não tem sustentação quando confrontadas com os fatos. 

O mercado não tem resposta para nenhum dos grandes problemas da sociedade capitalista. O que resta provado é que somente a ação estatal pode assegurar o mínimo de civilização e ainda socorrer os dinheiropatas da falência certa.

Vejam o que é a vida, um simples vírus, primo do vírus da gripe, reduziu a pó a palhaçada neoliberal.

Só o Estado pode enfrentar este e outros megas problemas mas a classe dominante e suas agências de propaganda tudo fazem para desacreditarem a ação política, governos e indiretamente o próprio sistema representativo, a democracia.

Poucos aprendem por teoria, a maioria cabeça de toucinho só aprende pela experiência, a realidade implacável dos fatos.

A sociedade brasileira precisa aprender esta lição e julgar as políticas neoliberais e sua doutrina  para que nunca mais este tipo de saque dos bens públicos e destruição dos valores que orientam a República e a solidariedade social voltem a ser esgrimidos como solução para qualquer coisa.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

                            ADEUS ÀS ARMAS [1]



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O livro "Hemingway em Cuba", de Norberto Fuentes, com tradução para o português brasileiro de Eric Nepomuceno, aborda os 22 anos em que Hemingway viveu em Cuba, seu cotidiano, amizades, pescarias, visitantes e afetos.

Gosto da escrita de Hemingway desde a juventude e nunca perdi a admiração por sua atitude sem condescendência com o sentimentalismo.

O sentimentalismo é uma coisa gosmenta, é a morada da fraqueza e do mau-caratismo, a matéria com que se faz a escória que não suporta conviver com a realidade.

A esta escumalha Salomão chamava de estúpidos, estultos; eu prefiro chamar de ratos, mesmo sabendo que estou ofendendo estes roedores, pois a verdade só pode ser alcançada por espíritos intrépidos.

"Adeus às Armas" é puro Eclesiastes ou puro Hemingway, como quiser. A fadiga da faina, a brevidade ou inutilidade das vitórias e a persistência na obra, mesmo sabendo que não se vai obter êxito, estão ali gravadas.

Eclesiastes e Meditações, de Marco Aurélio, são as obras que melhor condensam os filosofemas do estoicismo. Se imputa a Salomão além de Eclesiastes a autoria de Cânticos, o livro de erotismo da Bíblia. Se o livro for realmente dele fica indene de dúvidas que também sabia aproveitar a vida pois sabia comer uma criatura.


O jovem toureiro de "O Sol Também se Levanta" é um símbolo de estoicismo, tantas vezes atingido pelos socos de um fracote e atirado ao chão, se ergue.

Se as palavras de Salomão merecerem crédito fica patente que a escumalha domina o mundo desde o começo de tudo mas com a sociedade de massas chegou ao topo.

Segundo suas palavras "Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado." Então fecha o caixão e segue o enterro que este mundo não tem jeito.


Nota

[1] ADEUS ÀS ARMAS
https://www.youtube.com/watch?v=DRQtpcXFOCU