quinta-feira, 6 de abril de 2023

             COMIGO NÃO, VIOLÃO


       


Os meios de comunicação, em especial a Rede Globo de Televisão, desde a fundação do PT e com uma intensidade inaudita desde 2005 semearam o ódio e instigaram a violência contra os principais dirigentes do partido.

Mas o ódio, por razões óbvias, não pode ser compartimentado e se espalha pelo tecido social.

Desta maneira a sociedade fica histérica, instável e manipulável. Não existe almoço de graça, como dizem os que usam a linguagem das corporações de negócios.

Os dois anos que antecederam o golpe de 1964 e os anos em que Hitler preparou sua escalada foram de disseminação de ódio.

Sem este ódio não existiria a ascensão de Hitler, nem a Segunda Guerra Mundial, nem as câmaras de gás e nem os fornos crematórios.

Os meios de comunicação cometem o crime perfeito, i. é, na frente de todos e sem que vejam. Agora se fazem de atoleimados e sem saber o por que atos bárbaros como o assassinato da professora de 71 anos e esta chacina de 4 crianças aconteceram.

Comigo não, violão.

 


sábado, 1 de abril de 2023

                         CHEGA DE LAMBANÇA


        


Preciso de umas férias, uma temporada na fazenda, qualquer coisa que seja longe de gente histérica e que só atrapalha a reflexão serena.

Não vivo sem bússola, é de minha natureza, preciso entender os fatos e o mundo que me chega pelas notícias, não gosto de me sentir como folha ao vento e preciso de distanciamento emocional para refletir. A gosma emocional só atrapalha o discernimento.

No livro de Turgueniev, PAIS E FILHOS, tem um personagem inesquecível, entusiasta das ciências naturais, se bem me lembro era químico, Bazarov, este é o nome do cara.

Sujeito intrépido, quando fazia frio ele dormia na varanda (parece coisa de Raul Seixas mas não é, está assim mesmo no livro). Tudo vai bem na vida do cara, a razão não abre espaço para o gogo emocional até que se apaixona e aí põe fim à vida mas não cede. Parece que no livro é chamado de niilista, uma injustiça pelo sentido que a palavra tem hoje.

Todas as vezes que a emoção domina a pessoa só faz lambança. Não nego as emoções, pois não sou maluco, mas acho que precisam ser bem orientadas e não se deve agir por impulso.

Até mesmo as piores coisas demandam planejamento para serem bem executadas e serenidade para serem compreendidas. Alegria para serem bem feitas, dizia seu Rosa, o das gerais.

É bom ter cuidado com o apelo à piedade, a intimidação, uso do medo e as diversas formas de coação. Desestabilizar emocionalmente sempre foi uma forma de dominar e induzir. Todo cuidado é pouco nestes dias de intensa histeria.

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

                                     COMO AGE A ESCÓRIA

         

Na entrevista do Presidente Lula dada à TV 247 anteontem, 21 de março, ele falou que teve momentos em que não acreditava que a Operação Lava a Jato chegaria a prendê-lo pois para tanto precisariam inventar crimes (e imputá-los ao Presidente).

Por esta afirmação percebe-se que o Presidente é um homem que crê na bondade das pessoas e não imagina o quanto elas podem ser ruins, perversas, corruptas e más, como dizia o gênio florentino.

Não acreditava mas teve que mais adiante acreditar pois a prisão e os processos eram reais, embora fraudulentos. Elementos vis, reles, tinham o prazer em dizer: "Ele foi julgado em duas instâncias e outros recursos foram negados provimentos no STJ e no STF. Então quer dizer que estão todos errados?"

É assim que procediam Silas Malafaia, Magno Malta e outros velhacos de menor calibre. Todos diziam a mesma coisa pois é assim que age a escória, sem interesse pela verdade, mesmo que ela esteja quase à flor da terra, no caso, disponível na web; bastava ler a sentença do delinquente juiz parcial e outras peças dos autos para ver a ausência de crimes e consequentemente de provas.

Chamo Sérgio Moro de delinquente porque é impossível um juiz condenar alguém sem provas e sem crime sem cometer delitos como prevaricação, entre outros.

Qualquer pessoa que conheça um pouco o Judiciário brasileiro sabe que sempre que alguém disser que é vítima desta direita togada deve-se averiguar (lendo os autos e o que mais seja necessário em uma investigação para saber a verdade) pois pode proceder a notícia da injustiça.

A verdade nua e crua é que se um juiz, Desembargadores ou Ministros resolverem lhe meter na cadeia ou retirar de seu patrimônio todos os seus bens não precisarão de provas pois seu direito será atirado no vaso sanitário e dada descarga.

Não existe justiça sem verdade e isto faz a diferença entre as pessoas. Pesquisar para saber a verdade, é assim que age uma pessoa honrada; a escória se refestela na mentira e na infâmia com aberto prazer.

 

quinta-feira, 16 de março de 2023

    É MUITO DIFÍCIL A DEFESA DE QUEM NÃO SE DEFENDE


     


Tenho como certo que uma das formas de controle social mais eficaz é fazer o indivíduo temer a opinião alheia. Os soldados da classe dominante sempre usaram esta arma contra quem se opôs a mais brutal exploração da força de trabalho no Brasil.

Nunca tive medo da opinião alheia porque sei que os estúpidos são facilmente manipuláveis e que se tem um preço pagar por ser livre e exercer a liberdade, principalmente quando se é de esquerda. Nada é gratuito nesta vida.

Outra coisa, cada um tem o direito de ter sua opinião e arcar com as consequências de dizê-la. Portanto, quem inventar estória é que tem que andar em pânico com medo de processos. No mais, quem não se pauta na verdade nada tem a dizer que me interesse e então deve guardar sua opinião, metê-la na gaveta ou onde quiser.

Digo isso porque o advogado Cristiano Zanin será indicado pelo Presidente Lula para o STF e uma das teses defensivas de sua ida para a Corte Constitucional é que nunca criticou o Judiciário nem apontou nenhuma de suas mazelas.

Julgo esta tese péssima pois incentiva mais ainda a submissão dos advogados diante de um Judiciário que precisa ser reformado e que permitiu que o Presidente Lula ficasse 581 dias preso e respondesse a 25 processos farsescos, nenhum deles era mais que um embuste, como restou provado.

Não tenho dúvidas que um dos melhores momentos da defesa de Dr Zanin foi quando advogados do entorno do Presidente Lula insistiram para que houvesse desistência do habeas corpus em que se alegava a suspeição do chefe da "operação lava a jato" e ele, segundo matéria da revista PIAUI, disse que se ocorresse tal desistência que então procurassem outro para patrocinar a defesa do Presidente.

Como é conhecido, o Presidente Lula decidiu não desistir do habeas corpus e o simulacro de juiz foi julgado suspeito. Todo advogado já enfrentou ou arrostará problema análogo pois são raros os constituintes que não se acham conhecedores do direito e grandes táticos das batalhas jurídicas.

Vejamos um caso que considero um equívoco de defesa. O Ministro José Dirceu optou por não combater fora dos autos dos processos as condenações que injustamente lhe impuseram na AP 470 e na operação de Sérgio Moro. Suportou tudo estoicamente.

Considero a tática do Ministro Dirceu um erro; ele teve uma enorme consideração por um Judiciário que o perseguiu e o expôs à execração pública com a finalidade de retirá-lo da disputa política.

Deu no que deu, quase ninguém o defende. A verdade é que ninguém defende quem não se defende e não fornece informações para que outros também lhe defendam.

Tenho como certo que quem for perseguido por um inimigo disposto a destruí-lo deve cavar uma trincheira e atirar com as duas mãos até o último cartucho. O inimigo precisa saber que os danos e os riscos serão recíprocos, é uma lei da guerra.

Nisto tudo não podemos deixar passar despercebida uma sutileza na conduta de advogados famosos e ricos que defendem a submissão e não a crítica a  um Poder Judiciário que a cada dia se desmoraliza mais e mais: os caras tem interesse em ir para o STF, tem amigos nos Tribunais e coisa e tal.

Com esta conduta abjeta muitas vezes rifam os interesses e direitos de seus clientes pois seus próprios interesses estão em primeiro lugar.

Ser ninguém na fila do pão pode ter uma vantagem: fazer uma advocacia desassombrada em acordo com o Código de Ética da advocacia.      

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

                   FALTA DE NOÇÃO


        

Sem raciocínio crítico você pode acreditar em qualquer coisa, no que diz Silas Malafaia, Edir Macedo e outros exploradores da credulidade alheia.

Sem dúvidas que eles exploram um produto largamente difundido e aceito e isto facilita a fraude. Mas ainda assim quem acredita sem pensar e analisar criticamente pode até acreditar que o bandoleiro Lampião era gente boa e coisa e tal.

Lampião, Virgulino Ferreira da Silva, era um bandido perverso e que pelo terror que disseminou sobreviveu muito tempo, invadia fazendas e cidades e mediante ameaças de mortes cruéis extorquia quem queria.

A única cidade em que recebeu o tratamento adequado foi em Mossoró, RN, pois tentou extorquir com uma carta ameaçadora e foi desafiado a entrar na cidade. Foi recebido como deveria, com a população de armas em punho, e depois de três horas de combate desistiu de tomar a cidade e fugiu com seu bando. As frinchas das paredes das casas de Mossoró provocadas por esta resistência honrosa estão preservadas, fazem parte da memória histórica da cidade.

Nunca foi um "bandido social", um Robin Hood do Nordeste brasileiro. Não existe um fato que justifique esta crença.

Contudo, em verdadeira ação de desinformação e falta de noção do ridículo apareceu uma escola de samba para fazer a apologia, isto mesmo, uma homenagem a Lampião e seus crimes.

Foi campeã. É por estas e outras que tomei horror ao carnaval. É muito lixo tratado como coisa de valor.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

         MARIGHELLA, o quarto capítulo

 

Carlos Marighella, deputado constituinte em 1946; guerrilheiro contra a ditadura instalada em 1964

Assisti a série em quatro capítulos sobre Marighella dirigida por Wagner Moura. O primeiro capítulo é caricaturado do início ao fim, os diálogos, a história que nada esclarece. Perdi meu tempo pois produto pior não poderia ter sido produzido. Os diálogos são ruins e o ator que representa Marighella longe está do herói da resistência. Uma fieira de erros que gerou um produto incompreensível.

O segundo capítulo é pior que o primeiro pois mostrou um Marighella defendendo o terrorismo sem contextualizar.

Ele defendeu o terrorismo sim, está escrito no "Mini-manual do Guerrilheiro Urbano", preto no branco, dizendo que ao terror da direita deveria ser oposto o terror da esquerda. Portanto, não foi como está na série de autoria de Wagner Moura onde do nada Marighella defende o terrorismo.

Quanto ao ator negro ao invés de um mais parecido com Marighella é destas licenças poéticas que ao invés de ajudar a tornar compreensível o personagem só faz confundir. A escolha faz parte desta moda "nova": acreditar que existem raças e usar isto para explicar os fatos sociais. Hitler está na crista da onda.

Gostaria apenas que o ator fosse convincente o suficiente para representar um revolucionário de tempo integral como era Marighella, o verdadeiro.

A última cena do último capítulo da série MARIGHELLA foi a melhor. Os sobreviventes da ALN – Ação Libertadora Nacional - de mãos dadas e em círculo cantavam o Hino Nacional; transmitiu muita emoção e a determinação daqueles bravos brasileiros para levarem a luta armada até o último homem.

Cena parecida só no filme CABRA CEGA, onde dois combatentes, um homem e uma mulher, saem para um combate direto e suicida às forças da repressão.

Percebe-se com facilidade - quem tem alguma familiaridade com a história recente do país - as pessoas reais que inspiraram os personagens da série: Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, o segundo homem da ALN, com os óculos de aros finos e modos afáveis que o caracterizaram; Virgílio Gomes, o Comandante Jonas, e seu assassinato a socos e pontapés; o delegado Lúcio é sem dúvidas inspirado em Sérgio Fleury, viciado, associado ao tráfico de cocaína e assassino profissional.

Tem um personagem representado por uma moça pequena e valente que sem dúvidas foi inspirada em Maria do Rego Barros, arquiteta, pertencia na época à ALN e presenciou no pau-de-arara os últimos minutos de vida de Toledo em um sítio na periferia de São Paulo, um antro clandestino de torturas comandado por Sérgio Fleury.

Este bandido pertencia ao famigerado "esquadrão da morte", um grupo de policiais recrutados no lúmpen do proletariado (o refugo de todas as classes) composto de cafetões, achacadores de pequenos comerciantes, sendo o próprio Fleury condenado por associação ao tráfico de cocaína. Foi a esta escumalha que o Exército brasileiro se associou para combater Marighela e todas as organizações da luta armada urbana.

Maria Rego Barros impôs respeito a este celerado, quando foi torturada o enfrentou e nada lhe revelou.

A Maria real bem como a personagem nela inspirada é uma mulher extraordinária, de coragem ímpar. Morava ou mora ainda em Lauro de Freitas, BA, foi o que soube na última notícia dela. A Maria real e a personagem bem como Toledo capturaram minha irrestrita simpatia.

Não percebi na série nenhum personagem inspirado em Carlos Eugênio, o comandante Clemente, o único sobrevivente do comando nacional da ALN.

Wagner Moura não estava preparado para o que tentou fazer, mesmo usando o livro de Mário Magalhães para escrever o roteiro.

Salvo a última cena percebo que foi perdida uma grande oportunidade de fazer uma ótima obra sobre estes brasileiros extraordinários, de grandeza anônima, que lutavam para libertar a população da ditadura instalada com o golpe de Estado de 1964, lutavam contra um governo da fato, totalmente ilegítimo, o crime como forma de governo. 

domingo, 25 de dezembro de 2022

                                              SEM ILUSÕES


Anísio Teixeira - patrono da educação pública brasileira foi assassinado pela Aeronáutica  


Já falei para amigos que não tenho mais ilusões nas transformações que o PT possa fazer na educação pública no Estado da Bahia. São 16 anos de governo e com os 4 de Jerônimo serão 20 e sequer uma iniciativa que demonstre alguma transformação para melhor pode ser constatada até agora. 

Não me falem em escolas com piscina e muitos azulejos nas paredes como tem feito os governos do PT na Bahia pois eu não nasci ontem e sei que é uma embromação para enganar os incautos querer educar jovens e adolescentes que frequentam o ensino médio sem boas bibliotecas nestes colégios.

Outra coisa, temos que melhorar a qualidade dos livros didáticos. Em 16 anos de governo do PT na Bahia nada foi feito para isto. É uma necessidade premente livros que prestem na área das ciências naturais (física, química e biologia) e matemática. Os livros publicados pelo Ministério da Educação são muito ruins.

Reitero, caso queiramos melhorar o ensino médio, que é competência dos Estados, teremos que ter livros didáticos de qualidade. A EGBA - Empresa Gráfica da Bahia - pode editar um livro projeto-piloto em cada matéria para irmos aperfeiçoando com o tempo e de acordo com as críticas e sugestões de alunos e professores.

Estimo que em um colégio do ensino médio com 600 ou 800 alunos deveria ter uma biblioteca com no mínimo 40.000 livros (não estas porcarias que o Ministério da Educação envia em excesso, o que denota fraude nas compras) envolvendo livros de história do Brasil e geral, sociologia, literatura, vulgarização científica, biografias e etc. Examine qualquer colégio do ensino médio na Bahia e veja como está a biblioteca...

O mestre baiano Anísio Teixeira foi assassinado pela Aeronáutica em 11 de março de 1971 [1]; em 1964, José Porfírio, um líder camponês depois de passar uns dias presos em um Quartel do Exército em Brasília foi solto e desapareceu na Estação Rodoviária da Capital Federal para nunca mais ser encontrado, o crime do cidadão: alfabetizar crianças em uma liga camponesa (existe um documentário na TV pública sobre este caso).

Paulo Freire e Darcy Ribeiro tiveram que buscar o exílio para não terem o mesmo destino de mestre Anísio Teixeira. O saudoso Ênio Silveira teve sua editora levada à bancarrota pelos militares

Ênio Silveira é o nosso Gramsci. Uma vez perguntado o que faria se fosse Ministro da Cultura respondeu que começaria com um plano violentamente agressivo de reorganização das bibliotecas nacionais e depois partiria para um programa de parceria entre governo e editores [1].

Tenho certeza que não é por ignorância esta indigência planejada em que grassa a educação no ensino médio do Estado da Bahia. É o medo que domina esta gente, Jacques Wagner e Rui Correria, pois sabem que depois de deflagrado o processo de uma boa educação ninguém mais controlará. Tenho verdadeiro apreço por estes companheiros pois são pessoas afáveis e nunca me fizeram mal, portanto, nada tenho de pessoal contra eles.

Eu não conheço Jerônimo mas tenho certeza que como os outros dois não tem colhões para iniciar uma profunda transformação na educação na Bahia, todos eles sabem que quem levar uma boa educação para os filhos do povo entra na linha de tiro da classe dominante.

Mas vamos ser justos: quantos livros Gilberto Gil e Juca Ferreira (o Ministro da Cultura de fato) colocaram em qualquer biblioteca do Brasil? E Margarete Menezes, qual o livro que está lendo?

Sinceramente...

 

Notas

[1] Anísio Teixeira foi assassinado, defende relatório

https://atarde.com.br/politica/anisio-teixeira-foi-assassinado-defende-relatorio-760179

[2] Ênio Silveira - Arquiteto de Liberdades, p. 64