sábado, 25 de fevereiro de 2017

         OS AGIOTAS GOLPISTAS


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Não posso deixar de ressaltar a importância da leitura da entrevista da ex Presidenta Dilma no site Sul21 que está no link abaixo [1]  pois muito esclarece sobre as forças econômicas e políticas que conduziram o golpe de Estado que a depôs.

Parece-me que pessoas que viveram na clandestinidade na luta política têm dificuldade de externar o que pensam pois a primeira regra da clandestinidade é segurar a língua e como se sabe a ex Presidenta viveu alguns anos na luta subterrânea contra a   ditadura instalada em 1964.

Contudo, a ex Presidenta depois de meses vitimada pelo golpe começou a falar, a expor o ponto de vista de quem esteve dentro da barriga da baleia e aí as motivações mais encobertas dos golpistas estão sendo  mostradas.

Os donos do capital financeiro, 1% da população, estiveram no comando do golpe. Para que se tenha uma ideia dos interesses desta gente basta lembrar que não existem mais comerciantes, só agiotas, nenhum deles tem interesse em vender à vista, só a prazo, para arrancar juros dos consumidores ilegalmente.

Aqui um exemplo: comprei um novo celular e para isto andei e somente na quinta loja meti a mão no bolso pela simples razão de que todos dividiam em mais de dez vezes e não retiravam um centavo de juros na compra à vista. Todos agem como bancos, são agiotas não regulamentados.

Fui roubado por um agiota pois só uma pequeníssima parcela dos juros foi retirada pois a compra foi à vista. É assim que os produtos brasileiros são os mais caros do mundo: carros, celulares, sapatos, roupas, seja lá o que você comprar terá um dreno, juros, a empobrecer a população com produtos de quinta qualidade.

Foi esta gente que se empenhou no golpe. O neoliberalismo significa antes de tudo o setor financeiro mandando no setor produtivo, com a total desregulamentação protetiva dos cidadãos e das nações.

O golpe de Estado começou em 2012 quando de uma só vez a taxa de juros baixou 2,5%, vejam o que disse a ex Presidenta na mencionada entrevista: "Percebi isso em toda profundidade no governo. Uma coisa me intrigava: porque toda vez que o juro baixava (em 2012, essa baixa chegou a 2,5%), era como se todo o segmento empresarial virasse de costas para o governo."

A entrevista é muito boa e alerta para a linha de confronto que se aproxima, a eleição de 2018. Vale a pena ler e conferir.

Nota

[1] “O golpe não terminou. A segunda etapa pode ser muito mais radicalizada e repressora”


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

                   ATÉ QUANDO?




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A morte de Dona Marisa é uma tragédia. Sem dúvidas que sua saúde foi afetada pela campanha de ódio e lawfare [1] movida contra si, contra o ex Presidente Lula e seus filhos.

As pessoas não fazem ideia do que seja estar no centro de uma campanha de ódio destas, sendo acusada de roubar bens públicos e sendo inocente, mas podem avaliar basta que conheçam a estória dos pedalinhos, do barco de lata e do apartamento no litoral paulista.

As empresas de comunicação em conluio com o Judiciário e em particular com Sérgio Moro são os principais responsáveis pela intoxicação emocional de parte da população brasileira na campanha de extermínio moral e físico movida contra o ex Presidente Lula e petistas.

Os executores da campanha de ódio estão nas redações e têm RG, CPF e CEP.

Todos os nossos atos repercutem como um objeto lançado em um lago e não controlamos as consequências. Por certo que a imolação de Dona Marisa não será em vão.

Nota


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

              OS VERDADEIROS CULPADOS



A imagem pode conter: 1 pessoa, carro e atividades ao ar livre
Cérebros programados pela Rede Globo insultam Dona Marisa em coma induzido. 
                               

De campanha de incitação de ódio eu entendo, sei o que é isso e posso afirmar sem margens para erros: estas pessoas que foram para a porta do hospital Sírio-Libanês onde está internada Dona Marisa em decorrência de um AVC proferir insultos são um produto da mídia, da Rede Globo em particular.

Antes de reclamarem contra a conduta lastimável delas julguem quem as intoxicou emocionalmente e alimentou com lixo os cérebros, os proprietários das empresas de comunicação, as famílias Marinho, Mesquita, dona do Estadão, Frias, dona do Grupo Folha de São Paulo e Civita, dona da Veja. Não vamos errar o alvo e deixar a salvo os verdadeiros culpados.

Não esqueçam que existe uma intoxicação emocional da população contra petistas e contra a família do ex-Presidente Lula feita pelas empresas de comunicação, em particualr a  Rede Globo, daí estas pessoas não sabem com exatidão como e por que chegaram até ali em frente ao hospital neste papel deplorável.

Não vemos ou sentimos com os olhos mas com o cérebro e o insumo da atividade cerebral são as informações que nos chegam através de imagens e palavras, basicamente. Aí reside a força das empresas de comunicação, dizer o que devemos pensar e sentir.

Encontrei a fotografia na web. Não sei quem é o autor, daí não dei o devido crédito.

P.S - Segundo o blog SOCIALISTA MORENA a foto é de Cris Rodrigues.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

 MINISTÉRIO PÚBLICO E AGIOTAGEM NO BRASIL



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Caso você compre qualquer coisa na loja Ferreira Costa saiba que pagará juros, comprando ou não à vista. Aliás, a Ferreira Costa não vende nada à vista, não retira um centavo, o preço é o mesmo tanto faz a maneira como pague.

Sabe por quê? Porque existe uma financeira do mesmo grupo que financia as compras a prazo e se apropria dos juros. Desta maneira, esta arapuca armada pelos agiotas não vende à vista, quem quiser que pague juros mesmo sem parcelar a compra.

A Loja Insinuante, que usa eletrodomésticos para atrair consumidores desavisados, incide nos mesmos crimes contra os consumidores.

Percebeu como não existem mais comerciantes, só agiotas que usam as mercadorias para nos extrair juros?

Cabe também uma pergunta: esta prática é legal? Compelir o consumidor a pagar juros quando ele paga à vista é legal?

Não tenho dúvidas que esta prática de agiotagem não encontra amparo no Código de Defesa do Consumidor e o Ministério Público tem sua parte de responsabilidade neste assalto ao bolso do consumidor pois se jogasse duro contra estes agiotas há muito eles teriam mudado de profissão.

No link abaixo um ótimo artigo sobre juros no Brasil.

Os juros no Brasil em perspectiva internacional


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

             O ÓDIO COMO MAL MOBILIZADOR



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Quem semeia ódio colhe ódio. Embora Gandhi, o cara que mais difundiu métodos pacíficos de luta política, tenha sido assassinado por um sujeito tomado pelo mais absoluto ódio.

Gandhi era advogado e com ele aprendi que noventa e nove por cento do direito de um cidadão está na matéria fática deduzida em juízo. Para ele o direito era aquilo que alguém tinha depois de cumprir com seu dever.

Em sua estratégia política o direito inscrito nas leis e a verdade eram importantes instrumentos a serem usados para conter abusos de autoridade na luta para libertar populações oprimidas.

Suas táticas não violentas (desobediência civil, jejum, resistência não-violenta) foram objeto de minha curiosidade pois quem estuda política precisa conhecer tudo isso mas porque também parecia funcionar em algumas circunstâncias.

Os analfabetos políticos de sempre censuraram minha curiosidade por Gandhi de maneira acerba. Mas é assim mesmo, a ignorância pune a todos, inclusive ao ignorante.

Gandhi tinha razão, a verdade tem uma força arrasadora e a polícia só é treinada para lidar com táticas violentas. Quando enfrenta métodos não violentos fica desnorteada.

O ódio exclui, segrega, e é oposto dos fatores mobilizadores, razão pela qual pessoas de esquerda deveriam pensar antes de valer-se dele para amparar suas causas. É fácil identificar quem na web faz o uso de uma linguagem virulenta e estimuladora do ódio sempre e com alvos definidos e identificáveis (homens, brancos, héteros, velhos).

Este episódio de Campinas em que doze pessoas foram assassinadas tem muitos culpados e não adianta somente colocar a culpa no inimigo, inclusive usando-o para fazer proselitismo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

  QUANDO A HISTERIA DOMINA


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Nenhuma pessoa estar imunizada contra a propaganda política. Grandes intelectuais sucumbiram a ela, Martin Heidegger sucumbiu à propaganda nazista, aqui no Brasil Manoel Bandeira, Rachel de Queiroz e Rubem Fonseca foram cooptados para o golpe de 1964 por uma propaganda bem feita e bem orquestrada.

O segredo da vitória de uma investida propagandística desta natureza é atordoar a opinião pública com temas que provocam histeria coletiva para dividi-la, causar condutas irracionais, fazer com que as pessoas abdiquem de julgamentos com base em provas, dados estatísticos, fatos.

Li no livro de Rene Armand Dreifuss, 1964: A CONQUISTA DO ESTADO, a urdidura de como agiram e do que se valeram os golpistas na campanha de 1962 a 1964 para enfim colocarem os tanques nas ruas e deporem Jango.

Entre estes meios mais eficazes e insubstituíveis em uma ação política desta natureza estava a propaganda política agressiva esgrimindo a ideologia anticomunista e o combate à corrupção visando desestabilizar o governo e manipular a opinião pública.

Estes dois temas explorados foram escolhidos pela capacidade de provocar histeria, aborto é outro destes tópicos, sexualidade alheia também provoca celeuma.

Nunca pensei que fosse presenciar o que tinha lido em livros, um ambiente de luta política em que a propaganda seria agressiva e a histeria coletiva suscitada com êxito: o país esta mergulhado no "combate à corrupção" e a histeria dominando.

Este ambiente onde prevalece a irracionalidade é onde floresce o abuso de autoridades, a violação de direitos, as instituições são dissolvidas e os mínimos códigos de civilidade viram poeira. É por demais perceptível que é nestes momentos que são gestadas as ditaduras.

Quando isto vai arrefecer? Não faço ideia. O que presumo a partir dos fatos é que mais pessoas serão vitimadas pelo que foi gestado neste momento e que passada a histeria muitos vão olhar para trás envergonhados e vão procurar esquecer o que fizeram.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

       PENSANDO COMO UM ADVOGADO

     
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A advocacia criminal sempre esteve em alta quando liberdades foram ameaçadas e direitos fundamentais violados tal como este momento em que o país se encontra.

A semana passada recebi de presente de um amigo o livro O QUE É SER ADVOGADO, de Técio Lins e Silva. Li em menos de três dias. É um livro muito bom, um tanto autobiográfico e por isso com ótimas dicas para quem pretende ser advogado, penalista ou de outra área, mesmo o livro focando exclusivamente na área penal.

Sempre procurei ler livros de e sobre bons advogados, aqueles que engrandeceram o exercício da profissão. Destaco alguns, A VIDA DE RUI BARBOSA, escrita por Luis Viana, SOBRAL PINTO - A consciência do Brasil, de J. Dulles, O ADVOGADO, de Henri Robert, O SALÃO DOS PASSOS PERDIDOS, de Evandro Lins e Silva (depoimento ao CPDOC) e CARTAS A UM JOVEM ADVOGADO, de Francisco Mussnich.

Li todos com muito proveito e estou relendo alguns. Ser advogado é uma profissão somente para quem gosta pois são muitas as agruras, riscos, ingratidões e incompreensões. Tem gente que jura que advogado não trabalha, vive sempre desfilando pelo forum paletós e gravatas italianas...

Comecei a reler PENSANDO COMO UM ADVOGADO, de Kenneth J. Vandevelde, que li há 15 anos, um presente de um amigo. Mesmo tratando da advocacia praticada nos EUA é de leitura muito proveitosa.

Como sou admirador incondicional de Rui Barbosa tenho o dever de mencionar dois textos dele de muito valor, ORAÇÃO AOS MOÇOS e DEVER DO ADVOGADO. Os dois tratam da advocacia, o último vai no âmago da profissão, a disposição para opor-se ao maior de todos os sacrilégios para um advogado, o sacrifício da lei.

A segunda exigência arrolada por Rui para esta "vocação ingrata" é a coragem, o desassombro para enfrentar a opinião pública açodada e a sanha dos tiranos e tiranetes, as autoridades subalternas dispostas ao cometimento de excessos.

Sobressai neste pequeno grande livro de Rui que o ambiente mais nocivo e indutor da vulneração de direitos e garantias fundamentais de natureza processual - isto é, processos e julgamentos ao arrepio da prova e do direito -, dá-se quando viceja uma opinião pública sob comoção.

Não é sem motivos que o juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, ele mesmo, em conluio com a mídia amiga, amiga dele, tem açulado a opinião púbica em verdadeiros linchamentos morais, pré-condenações de acusados e suspeitos, a abafar a verdade.

Esta estratégia está confessada no artigo CONSIDERAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO MANI PULITE [1].

É neste momento de incitação e açodamento da opinião pública para fins da violação de direitos que impressionam-me ainda as páginas deste livro de Rui, do qual destaco passagens:

i) "Sua função consiste em ser, ao lado do acusado, inocente ou criminoso, a voz de seus direitos legais."

ii) "Voz do direito no meio da paixão pública, tão susceptível de se demasiar, às vezes pela própria exaltação de sua nobreza, tem a missão sagrada, nesses casos, de não consentir, que a indignação degenere em ferocidade e a expiação jurídica em extermínio cruel."

iii) "(...) ninguém, por mais bárbaros que sejam os seus atos, decai do abrigo da legalidade."

Não tenho dúvidas que este juiz de Curitiba deveria há muito estar no mínimo sendo processado ou até mesmo preso preventivamente. Poucos neste país afrontaram tanto a legalidade e até mesmo a ordem constitucional quanto ele.

Nota

[1] CONSIDERAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO MANI PULITE